MELANIE M

O lado sombrio do pop contando a perturbação da infância de Melanie Martinez

Tempo de Leitura: 4 minutos

Nada podia me preparar para o disco de estreia de Melanie Martinez, chamado Cry Baby, lançado em Novembro de 2015. É uma viagem obscura regada de electro pop e letras pesadas. E já adianto que é um disco de estreia memorável com uma produção e abordagem comercial inteligentíssima. Quando a terceira temporada de “The Voice” estreou nos Estados Unidos, lá estava uma jovem – com metade de seu cabelo tingido de loiro, o outro de preto – que empolgou os juízes com sua versão acústica do clássico Toxic da Britney Spears. Sua voz era única e capturou toda a atenção durante sua audição. Já se passaram três anos, e mesmo que Melanie tenha perdido no reality show, ela ganhou (e muito) com o lançamento do seu álbum de estreia. É pop esteticamente construído em sua melhor forma, tratando de um tema e correndo por quilômetros com ele.

O título do álbum serve de base para todas as outras faixas do disco que remetem a bebês ou a infância em geral. Para lançar esse algum, Melanie adotou uma persona jovem com faíscas dançantes em seus olhos, que ameaçam sua própria inocência. E assim, é criado um tema que Melanie usa para descrever momentos bem subversivos de sua vida e algumas fantasias que só podiam sair da cabeça dela. Chega a ser maníaco, mas de um jeito divertido. Esse é um disco que foi escrito como uma válvula criativa para expressar como a artista se sentia enquanto estava crescendo. Apesar de alguns conceituais serem difíceis de sustentar (I’m Breathless, de Madonna, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars, de David Bowie e Captain Fantastic & the Brown Dirt Cowboy, de Elton John são alguns exemplos – para o bem e para o mal), Melanie usa tão bem o tema especifico utilizado para a história de Cry Baby que, no fim, enche um copo de canudinho com coisas doces e muita amargura num registro pop alucinante.

As letras para a faixa “Mrs. Potato Head” fala a língua da juventude e os padrões de beleza da sociedade atual: “Não seja dramático, tudo é de plástico. Ninguém vai te amar se você for feio.” Até o primeiro single “Pity Party” fala direto com as pessoas mais excluídas, com um videoclipe fascinante sobre a dor de não ter amigo nenhum. Ainda há um sample de “It’s My Party” de Leslie Gore, cantora da década de 60, enquanto o refrão reflete sobre solidão e abuso de substâncias químicas. Já a faixa “Soap” transforma o som de bolhas estourando numa cascata de batidas que servem de pano de fundo para letras cínicas como “Eu sinto saindo da minha garganta. Acho que seria melhor lavar minha boca com sabão”. Essa característica das músicas de Melanie é viciante porque cada música tem uma história que cada um pode contextualizar, tomar pra si e aplicar em sua própria vida. Afinal, todo mundo é um pouco cry baby (“chorão“).

De alguma forma, Melanie Martinez criou um espaço onde ela pega a música pop e aplica o tipo de vibração estranha e assustadora que é geralmente associado com punk e o metal, mas funciona e funciona bem. Ela é uma artista pop com uma persona palhaça gótica, o que não é comum no meio de artistas pop, e só por isso ela já deve ser considerada um destaque. Antes de estrear com Cry Baby, tivemos um lampejo da criatividade no single promocional “Dollhouse”, com sua melodia cativante e videoclipe penetrante, daquele tipo que parece estar de mãos dadas com a música de fundo, que contava a história crua de todos seus demônios da vida familiar.

Enquanto capitaliza esse nicho criativo, Melanie também usa seu estilo indie pop para encontrar um lugar no mercado mainstream. O que torna o som assombrado de Melanie Martinez tão atual é que ela tem uma abordagem consistente na sonoridade sem torná-la extravagante ou repetitiva. As melodias perturbadas por vocais possuídos na faixa “Tag, You’re it” são outro destaque do disco, junto com a cativante “Pacify Her” que revela a missão de Martinez de se livrar da menina que está no caminho entre ela e seu crush.

Os métodos usados para Melanie escrever suas letras são expressionistas, passionais e bem ricos. Esse ambiente carnavalesco e assombrado do disco vai até a última faixa do álbum, trazendo uma nova leitura do estilo indie pop, que é bem vindo para todo mundo. Cry Baby parece um livro de crianças, com classificação para adultos. À primeira vista, pensei que iria lidar com mais um registro pop pré-fabricado. Cara, eu fiquei emocionado por estar errado.

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Faixas Essenciais:
Dollhouse
Alphabet Boy
Pity Party
Pacify Her
Mrs. Potato Head
Mad Hatter

Um mineiro míope tentando ver o lado bom da vida. Jornalista por formação, gestor de pessoas por paixão e escritor por insistência, Gabriel construiu a idéia do MOSAICANDO, para parar de encher seus amigos com reflexões ácidas e merecedoras de prisão, apesar de soltas por aí.

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